Educação Condutiva - com amor

Quero escrever sobre Educação Condutiva porque me apaixonei por este método, cheio de amor, que tem atendido aos meus filhos com p.c. Quero descrever o que tenho estudado, aprendido, escutado e sentido ... Tenho a vontade de abraçar o mundo e fazer com que todas as crianças na mesma condição motora de meus filhos, tenham a chance de receber toda esta inteligência, técnica, forma de agir, pensar e sentir, que com todo carinho o Dr. Andras Peto deixou de herança.

Thursday, November 12, 2009

VIDA


Algumas pessoas não se cansam de olhar para vida alheia e com isto se sentirem felizes.

Parabenizam pela vida do outro. No entanto são infelizes com sua vida.

Eu tenho quatro filhos, duas crianças especiais em uma vida intensamente feliz.

Vivo apenas uma vida, a vida que Deus me deu.

Se tem mais de uma, não sei. Sei que temos vida longa, vida justa. Somos nós que determinamos os momentos felizes de nossa vida.

Uma vez li alguma coisa assim:
"Contamos nossa vida pelos momentos que nos faltou o ar, que demos muitas risadas e que nos marcaram para sempre. Quanto mais momentos intensos, mais vida temos."

Se nem a matéria se destrói, ela apenas se transforma. Como podemos simplesmente deixar de existir? Energia não tem espaço, nem tempo.

Seguidos pela fé na vida, fazemos a nós mesmos ver o invisível, acreditar no inacreditável e receber o impossível.

São tantas lindas citações que reuni. Citações de mestres que podem nos abrir a porta. Mas a decisão de mudar, de entrar é de cada um.

Friday, October 16, 2009

Maturidade ou Personalidade


Tenho gêmeos idênticos, porém com gostos e personalidades diferentes. Um gosta de maçã, o outro de coxinha.

Eles nasceram juntos, viveram sempre juntos e têm decisões diferentes. Maturidades diferentes.
Uns dizem que personalidade se constrói e não se muda. Mais ou menos como a altura, vai até uma certa idade e depois pára. Outros dizem ser como a cor dos olhos, nasceu assim e assim será.

Certamente o ambiente modifica, transforma, direciona.

Na matéria de capa da Revista Super Interessante de outubro, eles falam que escolhemos a escola de nossos filhos não pelo conteúdo ou método de ensino, mas pelos amigos que eles vão ter. Amigos são interferência em nossa personalidade, são nosso abraço, uma construção individual, que depende de cada um.

Meu filho tem buscado seus direitos de cidadão. Não sei qual sentimento me provoca quando ele decide ir pra sala, sozinho. E reforça dizendo, eu tô indo. Ele não anda, mas tem total controle de sua mente para comandar esta ação. Santo Nicolelis, me ajude a resolver esta equação!

A rebeldia neste caso vem junto com a decisão de ir a sala. O choro, a expressão de raiva, a mordida na própria mão. Claro que a condição dele define a personalidade dele. O outro gemelar sentado ao seu lado certamente tem a mesma vontade, mas não com tanta intensidade. Será maturidade? Ou personalidade?

Ou apenas como o sonho da noite passada, fica grudado comigo durante todo o dia, até que na semana seguinte nem me lembro mais. Com o tempo, ... passa.

Minha filha com 5 anos, me diz que tem sonhos ruins e não quer fechar os olhos. E ela mesma dá a solução:
- Já sei! Vou pintar tudo de rosa. Monstros não gostam de rosa né mãe?

Thursday, October 15, 2009

Ser melhor do que eu sou


Os filhos nos ensinam a ser pessoas melhores.

nos ensinam a amar.
nos ensinam paciência.
nos ensinam a definir rotinas ainda mais organizadas.
nos ensinam a ter mais responsabilidade.
Eles nos ensinar a prever antes de acontecer.

é preciso ser mais, ir além.
é preciso adivinhar um movimento, uma resposta.
é antever e já estar pronto.
ter sempre uma segunda opção.

Para ser melhor do que eu sou, respeitando a diversidade de cada um.
Ser melhor para mim, para ti, para todos.
É saber ler o que eles estão a nos dizer.

Friday, October 09, 2009

Liberdade com responsabilidade


Em texto de Maria Tereza Maldonado da Revista de Aprendizagem, entitulado de A importância dos limites na educação, eu seleciono algumas frases que direcionam nosso andar junto a nossos filhos. Muitas vezes nos sentimos na dúvida de qual sentimento aflorar, de qual atitude agir, de qual modelo ser. A liberdade com responsabilidade objetivada no colégio de meus filhos (Menino Jesus - modelo Montessori) é uma prece na colocacão de nossos limites.

Não vivemos mais um regime autoritário como de nossos pais, mas não podemos ser negligentes. Temos que exercer nossa função de pais com responsabilidade, sem culpa. Estimular a liberdade e a espontaneidade não significa tolerar grosseria nem falta de educação. Encorajar a expressão da raiva, não significa aceitar as manifestações de violência ou gritos.

Educar com amor e sensibilidade significa respeitar os direitos da criança tais como:
:: receber amor, carinho e bons cuidados para crescer com cidadania
:: receber orientação firme e clara sobre que é permitido e proibido
:: desenvolver habilidades e competências

Os limites são indispensáveis ao crescimento harmonioso, para o desenvolvimento da auto-disciplina e do controle da impulsividade. A colocação adequada dos limites é importante para o desenvolvimento do respeito e da consideração pelos outros, entendendo que os desejos e necessidades das outras pessoas são igualmente importantes.

Limites colocados com firmeza e serenidade são expressões de amor.

Elogio e espasmo



1) Recebi um e-mail de uma mãe que esteve no Canadá buscando novas alternativas para seu filho com paralisia cerebral. Ela conheceu um centro de Educação Condutiva e qual foi a surpresa dela quando a condutora de lá recomendou nosso centro aqui em Florianópolis. No Brasil também tem condutores e educação condutiva - disse a condutora canadense.
"Como jah comentei contigo, nos participamos de um programa de CE & HBOT no Canada no mes de Junho. Aprendemos muito! Foi a condutora que me falou do teu programa no Brasil...fiquei super orgulhosa quando descobri que eh em Florianopolis, no meu estado."

A mãe me escreve se dizendo surpresa. E eu também.

2) Andrew Sutton recomenda a vaga de condutor em Florianópolis e em sua descrição faz uma declaração de amor ao projeto e aos passos que damos aqui no Brasil.
"This project is very dear to me, because it extablishes a different model, both faithful to the original inspiration (Leticia is one of the few parent pioneers who has spent a year of intensive reading to prepare herself: she has probably read more about CE than have many conductors) but she is adding an element that is her own, and very appropriate to this new national context. Becky has done very well there and what she has learned will be very important when she moves on to the next stage of her career plans. I want this project in Florianopolis to continue and to succeed."

Nossa responsabilidade pesa. Nosso orgulho também.

3) Na rotina de mãe de filho pequeno, esgotada com as atividades que se somam com a função de maternidade, entre cólicas e refluxos, meu filho de apenas 20 dias dá aquele sorriso gostoso. Sabemos que não é um sorriso verdadeiro, mas um espasmo dos músculos da face.

Sendo de verdade ou não, no mesmo instante do espasmo, ele provoca em nós uma alegria imensa que brota do fundo do coração, que representa um amor incondicional, um sentimento tão forte e, este sim, verdadeiro.

A força de um elogio e a força de um sorriso. Como uma planta que recebe água, é a nossa força de viver uma história sem fim.

Wednesday, September 30, 2009

coragem x vantagem


Foi durante um ano que minha filha mais nova vinha me pedindo para "casar de novo e ter um bebê". Foi com muita coragem e com sobra de vantagem que pensei em engravidar dela, pela segunda vez.

Foi vendo uma matéria na TV sobre macacos que decidi. Os macacos de um zoológico aprenderam a limpar sua cela com balde, pano e esfregão - apenas observando o servente. Certamente ela seria um estímulo para meus gêmeos com paralisia cerebral.

Não errei, ela é um super estímulo, não somente para eles, mas como para nós, pais. Que fácil é ter bebê a termo! Já vem com software instalado! Nestes cinco anos ela certamente é a melhor terapia que meus filhos já fizeram. Muitos me dizem que é preciso ter coragem, e eu sinceramente não entendo esta colocação. Coragem? Eu tenho é vantagem.

E com larga vantagem decidimos engravidar novamente. No dia 17, nasceu meu quarto filho. Uma bênção! Estranho é observar as narinas minúsculas e relembrar tantas memórias que estão gravadas erroneamente em minha história de vida. Eu achava que o `desenho` das fossas nasais em meus meninos era o formato da sonda que estava entalada naquele micro nariz em todos os longos momentos de uti. Em casa observava atentamente e via ali ainda o formato daquela cânula. As veias avermelhadas que circundam a entrada do ar, na minha mente, também eram resultado do entra e sai de sonda.

Sete anos se passaram, mesmo tendo uma segunda gravidez, somente agora percebo que o formato do nariz é mesmo assim: redondinho por dentro, sem pelinhos e eventualmente com veinhas vermelhas ao redor, devido a pele tão clarinha. A pele do tornozelo descamando, e as dobrinhas ali bem marcadas, também são resultado de "apenas um pé", e não da manipulação de enfermeiras em busca de veias para introduzir antibiótico na melhor veia.

O tempo apaga marcas? Sim, mas ele grava marcas erradas também! Não pense que o que está ali dentro gravado como verdade, é. É preciso corrigi-las. Com tempo.

Friday, September 25, 2009

Centros de Educação Condutiva no Mundo


No blog da Gill uma lista dos centros de educação condutiva no mundo. Ela fez uma lista dos centros ativos e bem recomendados.

http://www.conductiveeducationinformation.org/2009/09/ce-centres-worldwide-c.html

Aproveito para divulgar outros endereços que podem ser úteis:
Neste mês recebemos uma família que esteve nos Estados Unidos - Flórida, adorou os resultados com a educação condutiva por lá e recomenda:
Lampert's Pediatric Clinic - usando método Therasuit :: www.intensivetherasuit.com
Complete Wellness & Hyperbaric Center - usando oxigenação hiperbárica :: www.cwchyperbarics.com
Innovative Children's Therapy - usando therasuit :: www.innovativechildrenstherapy.com

Se alguém conhece outros, vamos reunir, opinar e publicar.

Programa Visitante Com Amor


Hoje estamos finalizando nosso Programa Visitante Com Amor, último encontro do ano com famílias que aparecem de todos os estados do Brasil para conhecer a Educação Condutiva. Mais uma vez agradeço a confiança no grupo, na condutora e na educação destinado ao seu filho com paralisia cerebral ou outra dificuldade motora. São três semanas muito ricas, que promovem o crescimento e o desenvolvimento da criança.

Mais uma vez parabenizo aos pais, os principais responsáveis pelo desenvolvimento de seus filhos. Se vocês estão aqui, experimentando ou repetindo um novo método, é porquê acreditam nele, nela. Acreditam que seu filho pode mais. E ele pode, muito mais. Acredite sempre!

Para 2010, novamente estaremos oferecendo o Programa Visitante, de três semanas, nas datas:
Abril: 5/04 a 23/04
Setembro: 13/09 a 1/10

Garanta sua vaga e sejam bem-vindos! Dúvidas ou informações, por favor entrem contato.

Ele fala. Pouco, mas fala.


Quando perguntam se meu filho fala, eu respondo que sim. Poucas palavras.

Ele tem dificuldade, mas se comunica. Diz que sim e que não, de forma evidente. Chama mamã e papá, emite gritos de entusiasmo e dá gargalhadas gostosas; cínicas muitas vezes. Ontem eu perguntei a ele com quem ele queria fazer os deveres, e ele respondeu claramente: Vovó.

Então ele fala. Palavra.

Não posso dizer que ele não fala, não seria justo! Quando tratamos com pessoas normais, usamos perguntas e respostas normais. Você viu tal cena? Vi. Será que viu? Será que viu o mesmo que eu vi? Viu quanto? Percebeu tal detalhe? Não importa. Importa que viu.

Existem níveis de falar, de ver, de escutar, de saber, de perceber, de todos os infinitivos verbais ao nosso entorno. Resta saber em que momento é importante saber o quanto.

Em nossa última visita ao oftalmologista ele me garantiu que meu filho não enxerga bem, devido a uma opacidade no nervo que conduz a informação da visão até o cérebro. Seria importante saber o quanto ele enxerga. Ele enxerga? Sim. Quanto? Não podemos medir. O médico pode prever? Não sei. Em minha opinião a mãe tem mais condições de saber do que o médico - mesmo sendo ela quem pergunta.

Então ele enxerga.

Preciso trabalhar com as ferramentas que tenho, com o tanto que ele fala, conseguir comunicar e entender. Com o tanto que ele vê vou fazer que ele perceba e realize. Com o pouco que tenho vou fazer muito.

Tuesday, September 15, 2009

O Futuro


Em tempos de maternidade, estou distante por algum tempo para dar a feliz boas vindas ao meu pequeno que está por nascer. Nas expectativas de uma mãe experiente mas com dúvidas de uma mãe de primeira viagem, vivendo as incertezas do futuro.

Lembrei que quando este meu filho fizer 7 anos, os meus gêmeos já terão 14! Cenas imaginárias do futuro não param de pipocar em minha mente, surtindo como efeito no presente, ... lágrimas.

Não custa repetir posts anteriores ou escutar o `poema` de Toquinho:

Um menino caminha e caminhando chega no muro
e ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está.

e o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.

sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.

Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.
o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.



Aquarela, de mestre Toquinho

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.
corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva,
e se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva.
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,
num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.
vai voando, contornando a imensa curva norte e sul,
vou com ela, viajando, havai, pequim ou istambul.
pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul.
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená.
tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar.
basta imaginar e ele está partindo, sereno, indo,
e se a gente quiser ele vai pousar.
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida.
de uma américa a outra consigo passar num segundo,
giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo.
Um menino caminha e caminhando chega no muro
e ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está.
e o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar.
sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar.
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.
o fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.
vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá.
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá).
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá).
giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (que descolorirá).

Letra retirada do site: musica.com

Friday, August 21, 2009

Repetido por Andrew


Andrew gostou e publicou em seu blog:

http://www.conductive-world.info/2009/08/from-brazil-upbringing-with-love.html

O mesmo post abaixo, em inglês, sob o título A lesson for life from Sergeant Machado of the Environment Police.


Obrigada Andrew, sempre me dando alegrias. Fico sermpre orgulhosa de ter minhas palavras lidas pelos seguidores de seu blog.

Tuesday, August 18, 2009

Polícia Ambiental





No Curso de Julho do mês passado fizemos como passeio estudo uma visita a Polícia Ambiental.


No local aprendemos como os agentes tratam os animais que vivem em cativeiro, ou outros que são recuperados doentes da natureza, para serem atendidos e possam retornar ao lar.

As crianças tiveram a oportunidade de tocar nos pinguins com seus pelos sujos de óleo, observaram os macacos, gato do mato, corujas, tucanos e diversas aves nativas.

Para mim o grande ensinamento do Sargento Machado, que nos atendeu, foi sua explicação em relação a recuperação das aves:
- Elas vem até nós em uma gaiola, com pouca agilidade dentro daquele espaço. Nós então realocamos elas em um viveiro um pouco maior, para que elas possam novamente experimentar a sensação de voar. Em seguida colocamos em viveiros grandes para que elas se adaptem cada vez melhor ao ambiente natural. A comida é sempre colocada em um local diferente para que elas possam procurar o alimento com seu próprio esforço, atendendo assim as necessidades que a natureza oferece.

Vi neste relato o retrato do nosso grupo de educação condutiva, com suas rotinas e séries de tarefas cada vez mais parecidas com o ambiente natural que vivemos, com esforço e responsabilidade buscando independência, com `a comida cada dia em um lugar diferente`. A natureza é nossa vida, a Educação Condutiva nossa escola.

::: Desenhos de Juliana Goes, para o Curso EC Com Amor.

Amadurecimento


Quando meu filho precisou pela primeira vez desenhar uma casa, ele ficou bravo, amassou o papel e disse que não adianta que ele não sabia desenhar. Demorou até querer pintar de novo.

Ele tinha seus 3 anos e certamente, nem ele, nem nenhuma criança da idade dele desenharia uma casa.

Eu como mãe de uma criança com paralisia cerebral só pensava que ele nunca desenharia uma casa. A dificuldade motora impede que ele segure adequadamente um lápis, que ele se posicione frente a uma mesa sem cair ou sem babar.

Sei perfeitamente que na cabeça dele tinha uma casa, com detalhes, e era esta casa que ele queria retratar no papel.

Foi nesta época que a professora levou a turminha da escola até um atelier de arte, para mostrar as diversas formas que um pintor usa para expressar seus desenhos. Foi ótimo, para mim e para ele. A arte explica e relaxa a razão.

Neste ano foi a vez da minha filha desenhar um animal. Ela tem 4 anos. Ela não tem dificuldade motora alguma, mas ficou muito irritada porquê não sabia desenhar o cachorro que estava retratado na mente dela. Pediu ajuda e, riu chorando, dos desenhos dos adultos:
- Isso não é um cachorro!

Alguns anos depois, mesmo tendo a arte como cúmplice, somente agora entendi que a rebeldia era natural. Natural de uma criança de 3 anos. Sem as neuras e preocupações de uma mãe inexperiente, de uma mãe especial, querendo muito mais que seu filho poderia oferecer.

A gente sempre espera de nossos filhos mais do que a idade deles está pronta a mostrar.

Nos leva a frustrações, dúvidas e amadurecimentos. E esquecemos. Como pais, apenas temos que lembrar disso. Eles têm muito a aprender.

Inclusão: primeira geração


Quando colocamos nosso filho na escola pela primeira vez buscamos essencialmente acolhimento e carinho, somente após vamos buscar educação, aprendizagem e ensino.

Nós mães e pais de crianças especiais somos a primeira geração de inclusão nas escolas regulares. Normalmente `o primeiro caso` é conosco. Batalhar para mostrar que é possível, liberar a boa vontade da direção, da professora e de toda a escola, faz parte da luta diária na inclusão. São as pessoas que fazem a diferença.

Eu não aceito a tão dita frase:
-Não estou preparada.

E quem esteve? Eu estive? Estar preparada significa deixar as portas abertas para que eu possa entrar, para que a escola possa conhecer meu filho, integrar-se a ele. As crianças são as que mais aceitam e se divertem, se sentem úteis, despertam solidariedade, aplicam no dia a dia nosso lado mais humano. De ajudar, de aceitar, de incluir. Naturalmente.

Naturalmente, dependendo da escola, ela exclui esta oportunidade do resto do grupo. Somos nós os pais desta geração que temos que nos esforçar para deixar em cada canto mais uma porta aberta. Somos nós os responsáveis pela continuidade desta inclusão.

::: Este foi um dos temas que discutimos em nosso Encontro de Pais, durante o Curso de Férias de Educação Condutiva, em julho deste ano, há um mês.

Wednesday, August 05, 2009

Andras Peto e Berta&Karel Bobath


Neste artigo, Andrew Sutton fala das proximidades entre as idéias de Bobath e Peto, apesar de várias divergências nos métodos.

Entitulado de: CE: a lesson from Bobath? An authoritative statement

Ele começa o artigo com a frase:
I implore you to … push on. We’ve given you what we know. Learn… look at other methods… we hand you the torch.’ (Bobath and Bobath, 1979)
" Eu lhe imploro... vamos em frente. Nós os demos o que sabemos. Aprendam... olhem para os outros métodos ... nós passamos a tocha."

Estas palavras saíram do artigo do Jornal Internacional de Medicina Pediátrica e Neurologia da Criança. (Damiano 2007). A autora, Diane Damiano é fisioterapeuta e Presidente da Academia Americana de paralisia Cerebral e Desenvolvimento da Medicina.

Infelizmente não tenho acesso ao artigo, mas repasso as palavras de Andrew e de Diane sobre o artigo, para aqueles mais interessados em experimentar e avaliar as comparações de métodos. Eu copio abaixo as palavras do link de Andrew e deixo em versão original, inglês. Para quem quiser use a ferramenta de tradução neste blog.

Como mais referências:
1) Bobath, K., Bobath. B. (1979) Award-acceptance speech at First Curative Foundation Awards Dinner, Milwaukee
2) Damiano, D. (2007) Pass the torch, please! Developmental Medicine and Child Neurology, vol. 49, p. 723
3) Pető, A. Letter to Ester Cotton


Torching Bobath

The author begins with a heartfelt acknowledgement of the Bobaths’ innovative methods and its long domination of neuro-rehabilitation. In recent years, however, developing understandings (for example, of cortical control) and lack of empirical evidence for the efficacy of this approach have begun to weaken this position.

Diane Demiano proposes that there have been three distinct responses to this change amongst therapists, creating rifts urgently in need of resolution.

First are those who cling fervently on to the traditional approach, continuing to practice ‘in a time warp’.

I refer to this group as the torch carriers, likening them to those who ‘carry a torch’ for someone in a romantic sense, something that is typically not reciprocated or based on present-day reality.

She regards such ‘myopic allegiance’ as emotional rather that rational.

Secondly there are those who retain the name but allowing modifications, incorporating newer methods that fit with modern thinking and assimilating newer theories and practices into their work.

I refer to this group as the ‘torch bearers’ who basically consider the Bobaths as the source of the flame, rather than the scientific knowledge they imparted.

Decisions about what stays and what goes are made by national or local groups, or even by individual therapists, so the method’s identity then becomes blurred.

Many therapists purport that they use an ‘eclectic’ approach and pick and chose techniques from multiple sources, as if there were a therapy method buffet table.

Further, she notes, other people’s innovations then get sucked into an unjustified therapeutic black hole, by being presented as part of the Bobath approach, which ‘may serve the therapists who have invested their careers in this method’ [Bobath], but not anyone else

The third response, espoused by the author among others, she terms that of ‘torch passer’.

We fully recognise that we have benefited from the legacy of the Bobaths but believe instead that they have handed us their torch of knowledge and enquiry and now it is our opportunity and responsibility to contribute to the scientific basis of therapy, before we too pass it on to the next generation.

I hope that I have done justice to her well stated position. As ever, there is no substitute for reading the original. Do try and get one.

Casting light on CE
So what has all this to do with Conductive Education?

Well, as stated at the start of this posting, here is as authoritative figure as you could find from within the ranks of physical therapy (physiotherapy), one of theirs at the top of their tree, with a trenchant and highly critical analysis of what to outsiders may look a monolithic and unmoveable institution. Be reminded: it isn’t. There will be many therapists who do not agree with what she says, fair enough, but her analysis cannot be dismissed without well substantiated argument. The letters pages in the next couple of issues of Developmental Medicine and Child Neurology may prove instructive!

That aside, her analysis reminds us that everything has a history, Bobath, Conductive Education, everything, and what we perceive at any given time, in the opening years of the twenty-first century in this instance, is but one point in a long story. And stories have a beginning, and a middle – and an end.

I think that this is what Rony Schencker had in mind when she posed her awkward question towards the end of my pre-conference workshop in Rishon LeZion, about whether it might be time for people in CE to consider ‘changing the name’. Certainly there are some interesting parallels about what Diane Demiano wrote about ‘Bobath’ in her editorial with what can be said about ‘Pető’. You might like to try ‘torching’ Conductive Education in a similar way, assigning practices, people and institutions, to the same three groups as defined above.

The history of the Bobaths’ methods has of course been rather different from Pető’s approach. Not least this has been because only in the last twenty years or so has Conductive Education begun to be exposed to the harsh stimulus of the international professional-academic complex, to which the former has been subject for much of its existence. As a result, for good or for ill, the Bobaths’ approach has proceeded rather further along the line of modern professional-academic development than has Pető’s. And also for good or for ill, Conductive Education is goimng to have to catch up.

Conductive Education’s international period has seen torch-carriers aplenty and the torch-bearers now begin to appear everywhere too, creating ever greater difficulties in defining the boundaries of what constitutes Conductive Education. My personal historical analysis, expressed often enough in this blog and elsewhere, is that Conductive Education now faces a historical crisis with the emergence of a new globalised period in which it will generate and generalise new formulations of the essences of Conductive Education.

This is not quite the same as what the torch-passers are doing within Bobath therapy (nor need it be, they have their own path to tread) but it is certainly parallel enough to permit a far better modus vivendi between therapy and conduction. And it does raise the question of the ultimate historical fate of Conductive Education which, like all good stories, will have to come to an end some day. Passing on the torch of knowledge to a later generation, to be incorporated into some as yet unknown future aapproach with as yet unknown theories and unknown practices, and therefore ceasing to exist in its presently recognisable form – that, I suspect, will the time that the name will fall away, living on only in the history books.

In the meantime, as I think I replied to Rony in the workshop, my present view is that it is possibly rather early to junk about the only commonly acceptable descriptor that we currently have.

Bobath and Pető

Diane Damiano opened her editorial with a quotation from the Berta and Karel Bobath. Here to close this posting is something that András Pető wrote:
Nehmt das, was Ich begonnen habe, nutzt es und entwickelt es weiter… (Take what I have started, use it and develop it further…)

Not exactly the same, I know, but the two sentiments are very close. Perhaps the founders of both systems left a common message about future development of their respective ideas.

Thursday, July 23, 2009

Vídeo da Biografia de Peto


Em nosso encontro de pais durante o Curso de férias, trocamos experiências, falamos de assuntos comuns e assistimos ao filme "A Biografia de Andras Peto". Um vídeo rico em descrições e relatos de pessoas que trabalharam com Dr. Peto, ou foram seus alunos da pedagogia condutiva. Gostaria de levantar alguns trechos interessantes:

Mari Hari descreve:
"Existe uma brecha entre imaginar o movimento e executá-lo. Foi nesta brecha que Professor Peto pensou, a melhor maneira de executá-lo, para cada indivíduo."

Um condutor, hoje psicólogo, descreve:
"Já fiz o que podia com esta criança e não consigo fazê-lo subir estes degraus. Professor Peto, me conduza. Então Peto foi até a criança e disse:
- Você é grande, você é um conquistador, imagino você com muita energia subindo estes degraus, me mostre.
E assim a criança fez, subiu e desceu os três degraus.
O condutor disse, mas isso só pode ser você, pois eu já tinha tentado de tudo!
E Peto se surpreende:
- Eu? Eu nada fiz, foi a criança que subiu os degraus."


E continua:
"Andras Peto era uma autoridade em anatomia e fisiologia. Mas quando perguntado por um amigo como ele fazia quando via uma criança em sua porta, que não podia caminhar ou falar. E Andras Peto respondeu:
- Eu medito. Medito em cada um para encontrar a harmonia entre a energia interior e exterior. Mas não posso dizer isso, senão irão me achar um idiota."


"Andras Peto faleceu em 1967 aos 74 anos. Ele estudou cabala, budismo, acupuntura, hinduismo."
E eu Leticia, comento, este homem que faleceu nos anos 60 conhecia mais de cultura oriental e pensamento humanizado que nós atualmente.

"Professor Peto queria que as crianças comessem com os pratos de cerâmica e copos de vidro. Nada de latão ou plástico. Ele dizia:
- O que pode acontecer ? Apenas um prato quebrado."


Esse senhor de aparência bruta, porém de coração mole era uma pessoa que via mais do que um corpo, ele integrava o indivíduo em todas as suas funções vitais, emocionais e sociais. Obrigada Dr. Andras Peto pela sua herança. A Educação Condutiva.

Tuesday, July 21, 2009

A voz dos pais




Estamos iniciando nossa segunda semana do Curso de Férias Com Amor.


As crianças já adaptadas, agora seguem muitas atividades de aprendizado.

Deixo como resultado de uma primeira semana de curso a voz dos pais, em suas expectativas e vivências:

"Esta experiência deu um click em minha filha, por isso voltei este ano."
Juliana, segundo ano seguido conosco.

"Nossa missão é sempre buscar algo novo, dessa vez estamos aqui."
Alexandre, conhecendo a Educação Condutiva pela primeira vez.

"Tivemos uma experiência fantástica no ano passado, minha filha amadureceu, ficou mais atenta."
"No fim de semana que vi minha filha voltando pra casa, ela estava totalmente diferente. O que aconteceu? Deram mil picadas nela!"

Lilian e Emerson, repetindo o curso.

"Em três dias já estou tendo algumas respostas da condutora."
Sandra, em momento de avaliação.

"No ano passado achei uma mudança muito grande na minha neta e já nos primeiros dias do Curso eu percebo ela mais atenta e até algumas diferenças em poucos dias."
Célia, avó acompanhando sua neta pela segunda vez.

"O primeiro neuropediatra de meu filho disse que eu deveria buscar amor e consciência. Por isso estou aqui."
Clarice, experimentando a educação condutiva.


::: Desenhos de Juliana Goes, para o Curso de Férias Com Amor.

Monday, July 13, 2009

Boas vindas ao Curso


Hoje, segunda-feira, 13 de julho iniciamos nosso terceiro ano consecutivo com o Curso de Férias de Educação Condutiva. Serão quase 100 horas de educação, ensino e aprendizagem durante três semanas. O trabalho que ao mesmo tempo atende o grupo e percebe a individualidade de cada um, busca com o método da Educação Condutiva atender crianças com paralisia cerebral e promover sua independência e funções ativas para o dia a dia.

Com segurança e confiança, seguimos um Plano de Atividades rico em rotinas de educação motora, cognitiva, social e emocional, promovendo a experimentação em sala e também em nossa vida diária. Objetivamos fazer com que as crianças mostrem aprendizado e resultado nestas três semanas com o Projeto Com Amor, conduzindo para que as crianças realizem de fato, por elas mesmas.

A educação condutiva é surpreendente e tenho certeza que será muito rico para estas nove crianças que estão conosco durante este período. Cada família que se desloca de seu estado para conviver conosco esta experiência, tenho certeza que retornarão admirados, aprendendo com a educação condutiva do Dr. Andras Peto.

Sejam todos bem vindos!

Tuesday, June 30, 2009

Curso de Férias - Cronograma

Educação Condutiva Com Amor
Programação Curso Férias 2009

Semana 1 (13 a 17 de julho)
*Boas Vindas
*Rotinas EC
*Lúdico
*Piscina
*Música
*Dia Sujo

Semana 2 (20 a 24 de julho)
*Rotinas EC
*Filhotes
*Passeio Estudo
*Piscina (para-atleta)
*Música
*Esportes Pais

Semana 3 (27 a 31 de julho)
*Rotinas EC
*Música
*Culinária
*Teatro
*Passeio
*Encerramento

Rotina Curso Educação Condutiva 2009

10:30h Chegada
10:30h Caminhada chegada e alongamento
11:00h Programa Deitado
12:00h Programa Individual
13:00h Almoço
14:00h Momento leitura / brincar
14:30h Programa Manipulação
15:00h Atividade e Programa circuito
16:15h Lanche
16:40h Feedback e Caminhada Saída
17:00h Término

Üdvözlöm


É com muito amor e alegria que recebo novamente no Brasil, nossa primeira condutora - a húngara, Bárbara Osaigbovo. Ela está aqui, e certamente irá recordar os momentos que o Projeto Com Amor deixou a ela e as famílias que atendemos. Que este país também seja sua casa amiga. Seja bem vinda!