Educação Condutiva - com amor

Quero escrever sobre Educação Condutiva porque me apaixonei por este método, cheio de amor, que tem atendido aos meus filhos com p.c. Quero descrever o que tenho estudado, aprendido, escutado e sentido ... Tenho a vontade de abraçar o mundo e fazer com que todas as crianças na mesma condição motora de meus filhos, tenham a chance de receber toda esta inteligência, técnica, forma de agir, pensar e sentir, que com todo carinho o Dr. Andras Peto deixou de herança.

Thursday, February 21, 2008

Problema



- ... desculpa, eu não sabia que ele tinha problema, pode passar por aqui.
- Ela tem um filho com problema.
- ... sim, nasceu com problema.

Estes trechos de conversa traduzem a forma mais natural de uma pessoa falar de criança especial.

Problema, segundo Aurélio:
1. Questão não solvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio de conhecimento.
2. Proposta duvidosa e que pode ter numerosas soluções.

Ou ainda, segundo a Wikipédia:
1. Em matemática, um problema é uma questão proposta em busca de uma solução.
2. Em psicologia, um problema é qualquer questão que pode dar margens a hesitação ou perplexidade, pela dificuldade de explicação ou resolução.
3. Problema para a filosofia, é, em geral, qualquer situação que inclua a possibilidade de uma alternativa.

Nunca gostei de escutar as conversas citadas acima por não aceitar que o problema fosse somente meu. Qual é a mãe que tem um filho que não tenha problema? Qual é a pessoa que não tenha um problema? Qual é a situação que não seja problemática?

Relendo as definições para problema, me contento em saber que ter um problema significa demonstrar que busco uma solução. Significa que devo sorrir ao escutar os trechos de conversa, ao invés de manter meu rosto sisudo. Também entendo que a situação afeta não somente o equilíbrio psicológico do indivíduo que se expressa, mas também do grupo a minha volta.

Talvez o que realmente importe não seja o tamanho do problema existente, mas o tamanho que EU DOU ao meu problema.

Sou eu que percebo as minhas dificuldades e acabo por definir o tamanho delas. Algumas enxergo como oportunidades, outras como adversidades, outras ainda como novas possibilidades. Uma mordida de mosquito, uma vaga a preencher, uma dor, uma perda, uma lesão. Pode ser a mesma situação para vários de nós, idênticas às vezes, mas sou eu que dou a permissão para que ela seja do tamanho que eu queira viver (ou sofrer).

8 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Se existe um problema..é porque existe uma solução...
mas ...oque é mesmo problema?????
Aquele abraço,minha filha!!!!

9:48 PM  
Blogger De said...

This comment has been removed by the author.

7:12 AM  
Blogger De said...

Lê sabe o que mais me magoava na frustração de não conseguir ser mãe, os olhares e comentários das pessoas. "Tadinha ela tem problema .... Coitada nunca vai engravidar" e ficava pior quando colocavam Deus no meio, me falavam "Deus sabe o que Faz, já pensou se você tiver um filho com problema???" Eu literalmente me revoltava, pensava comigo ... mais nunca pedi que meu filho não tivesse nenhum problema, quero um filho, não importa como ele seja, para mim vai ser perfeito e especial. E além do mais quem não tem problema? Alguns tem problemas mais aparentes outros imperceptíveis pelos olhares alheios, mas todos temos. As vezes me revoltava e soltava o verbo, já em outras situações ficava imóvel sem reação com vontade de cavar um buraco e me enfiar dentro.
Sempre tentei olhar o problema de uma forma positiva, quando me deparava com mulheres arrasadas, já cansadas da luta em clínicas de fertilidade eu sempre dizia não fica triste pelo menos conhecemos nosso problema e podemos tentar solucionar. Eu também acho que o problema é do tamanho que a gente faz, não vou dizer que é fácil, que não sofremos, mas com certeza tudo vale a pena. Você já se imaginou sem seus meninos? Que sentido teria sua vida? Feliz de quem tem um objetivo na vida, alguém por quem lutar. Posso te garantir que a maioria das mulheres que conheci nesses tratamentos dariam tudo para ter filhos como os seus.
Você tem uma força imensa e com certeza seus filhos sentem, isso vai deixa-los fortes e preparados para esse mundo cheio de pessoas pobres de espírito. Quanto a essas pessoas, tenha PENA, no começo é difícil mais depois nos faz um bem imenso pensar nelas como coitadas.
Obs: Descobri que meu bebe é menina.
Um beijo nosso em vcs.
De ;-)

7:30 AM  
Anonymous Anonymous said...

Sim eu tenho um problema, tenho necessidades especiais, mas se voce me olhar nao podera ve-lo, entao ele é inexistente por ser invisível? Nao sofro? Meu problema nao é nada invisível, nada fácil. Invisíveis sao os covardes que sussurram, "lamentam e comentam, quanta compaixao!!!!" A covardia que falo, vem de pessoas frustradas, que nao tem coragem de assumir o seu "problema", sair na rua, buscar uma solucao!! Essa coragem os incomoda,talvez por evidenciar um problema: a ignorancia, gosseiria, indiscricao,discriminacao. É uma pena, devemos tolerar essas pessoas e torcer que evoluam a tempo de perceber que todos temos problemas, que é um privilégio maravilhoso estar próximo de quem "também" tem um problema, com o diferencial da luta, da corrente, da forca e da fé!!!
Partilho das palavras da amabilíssima anonima do primeiro comentário.
Beijo GRANDE Letícia! RFJ

10:33 PM  
Blogger Eugenia said...

Letícia,

Vc sabe que compartilhamos diariamente dessa situação "problema".Depois de muito refletir,sofrer,ensinar chorar,etc... Eu e Bia descobrimos que cantando a música da Adriana Calcanhoto "CIranda da bailarina" que só "a bailarina que não tem..." porque "procurando bem todo mundo tem".Sempre que me encontro encurralada real ou afetivamente no "problema" lembro da leveza e sabedoria dessa música e fico cantando como um mantra e me situo novamente no mundo dos "problemas-soluções"
Um grande beijo
Eugenia

8:48 AM  
Anonymous Anonymous said...

Letícia fomos a um hotel e quando estávamos na piscina um menino agitadíssimo perguntou ao meu filho Gabriel(5anos):" Tu não consegue ficar de pé? Eu consigo!!!Tu usa bóia de braço?!Eu não uso!?Porque tu usa????"
Gabriel:"Eu não fico de pé e se eu não usar bóia vou me afogar...mãe o que o menino têm?"
Naquele momento quis pegar meu filho no colo e sair gritando que ele é o máximo!!!Me contive...ele ia morrer de vergonha da mãe enlouquecida.
Sei de toda chateação,mas a cada ano que passa, enxergo melhor onde estão os problemas.Com carinho Luciane Lubianca.

6:08 PM  
Blogger Dinha said...

Problemas? Quem não os têm? Os de nossos filhos são somente mais visíveis, mas não necessariamente maiores. Maior mesmo é nosso amor e nossa força e aí certamente estão alicerçadas sólidas e amorosas soluções. Um beijo, saudade.

7:59 AM  
Blogger Cristiana Soares said...

Letícia, entendi seu ponto de vista... e faz sentido. É que vc pegou a coisa por um lado diferente do que eu peguei...

um superbeijo!

Cris

5:13 PM  

Post a Comment

<< Home