Educação Condutiva - com amor

Quero escrever sobre Educação Condutiva porque me apaixonei por este método, cheio de amor, que tem atendido aos meus filhos com p.c. Quero descrever o que tenho estudado, aprendido, escutado e sentido ... Tenho a vontade de abraçar o mundo e fazer com que todas as crianças na mesma condição motora de meus filhos, tenham a chance de receber toda esta inteligência, técnica, forma de agir, pensar e sentir, que com todo carinho o Dr. Andras Peto deixou de herança.

Tuesday, March 27, 2007

Preciso de auxílio: babá, enfermeira, o que mais?


Na Inglaterra existe uma profissão que é o career. Não consigo achar tradução para este profissional e gostaria de encontrar uma. Ele é uma mistura de mãe, pai, babá, técnico de enfermagem, professora, motorista. É o career que leva e busca, que tira a criança do carro, que tira e bota na cadeira, que profissionalmente tem cuidados especiais, onde parar, o que levar, como administrar situações especiais.

Hoje eu preciso de auxílio e digo que preciso de uma babá. Os meus filhos precisam tomar banho, comer e se alimentar. Mas eles também querem brincar de memória, ver dvd de adulto, aprender com novas histórias, pintar e recortar. A babá cuida de bebês.

Hoje eu preciso de auxílio e digo que preciso de uma enfermeira. A enfermeira tem cuidados especiais como tratar, atender, ser gentil e paciente. Meus filhos têm um ritmo, eles querem ir na piscina, ao mesmo tempo escutar música e cantar. Querem ir ver o jogo de futebol e tentar uns chutes, querem também ir na praia ver se a água está gelada e voltar para brincar com a mangueira que está quentinha.

Hoje eu preciso de auxílio e digo que preciso de uma professora. A professora ensina meu filho a usar o banheiro, a não fazer xixi na fralda, a lanchar com os amigos. Ela ensina meus filhos a pintar, ler e escrever. Ela não é só uma professora, ela é motivada e acredita no potencial deles. Ela convida eles pro passeio da escola e encontra uma forma de fazer ele participar.

Hoje eu preciso de auxílio e digo que preciso de um career. Não sei mais.

Hoje eu preciso de auxílio e digo que preciso de uma mãe. É ela que brinca, troca fralda, dá de comer, ensina a fazer xixi no banheiro e a lavar as mãos. É ela que lê histórias, coloca música, canta junto. É ela que leva pra jogar futebol, toma banho de mangueira, dá o banho. A mãe enquanto faz a comida pensa nos deveres que estão pra serem feitos, liga pra avó ajudar a procurar recortes. Ela nunca esquece os remédios e faz a nebulização. Ela sempre encontra uma aventura legal, seja na caverna do depósito, na sombra do gigante, no barco viking. Ela está sempre em busca de encontrar um sorriso em cada rosto. Ela também acorda durante a noite, acalenta um, outro e sai matando mosquitos.

Na Inglaterra ou aqui, com ou sem career, eu preciso sempre de auxílio, não nego. Mas também não quero ser taxada como coitada, azarada, ou sortuda. Digo mais, não sou super - mãe e nem quero ser. Compartilho com a Marina* a seguinte questão:

"... me dá a nítida impressão que das pessoas quererem dizer que por ele ter um filho deficiente ele é legal, apesar de discordarem das idéias como um todo... mais ou menos por aí. Letícia, isso sim me deixa P da vida...a sociedade querer nos engrandecer por tratarmos com naturalidade (e muitas vezes por pura falta de opção) de algo que ela tem dificuldade em lidar... Isso pra mim é puro preconceito!!!! e preconceito velado..."




*A Marina é a dona da Comunidade Paralisia Cerebral no orkut. Uma comunidade muito ativa, consciente e muito produtiva para os pais, amigos, e aqueles que vivem pc. Para ver da onde vem o comentário dela procurar pelo tópico "o grande botão vermelho".


8 Comments:

Anonymous Nea e Arthur said...

Oi Letícia,todos nós precisamos de alguém,uns precisam mais outros menos mas mesmo assim precisam.Tbm não gosto de ser vista dessa maneira,gosto que me vejam como uma mãe que luta e acredita no potencial do seu filho e que por ele fará qualquer coisa.

Um grande abraço

Néa e Arthur

11:09 AM  
Blogger Eugenia said...

Amigas,acho que posso as chamar assim,

eu compartilho de todos esses "precisares e fazeres" sobre os quais escreveram e compartilho também de detestar esse"olhar" filhos especiais ,mães ou muito tristes,acabadas e sem eros,ou muito alegres porque não enxergam o que vivem.Concordo com Néa,o preconceito é de quem não nos enxerga como somos :mães dos nossos filhos!!!
Agora lancei um novo slogan para mim mesma:Não aceito mais ser chamada de ESTRESSADA.Peço com toda educação:olhe para mim,me conheça,essa sou eu:aflita muitas vezes,confiante outras,cansada muito,feliz,acreditando na vida e principalmente vivendo cada minuto,seja ele feliz ou triste.
Enfim,sou mãe!!!
Quanto às ajuda,todos precisam de ajuda e o importante,acredito eu , é poder compartilhar com o mundo este movimento de troca.
Fortes abraços,
Eugenia

1:07 PM  
Blogger Marina said...

Oi Letícia

Estou honradíssima em ser citada por você, ainda mais num texto deste teor...

Honradíssima porque tenho uma admiração muito grande especialmente pela sua atitude de partilhar com a gente suas descobertas

Também preciso de ajuda, sempre...e muitas vezes não encontro ninguem que "consiga" ter a simplicidade necessária para cuidar do meu filho. Sim simplicidade, porque não é necessário mais que aceitação (e uma dose de esforço, claro...)

As vezes tenho medo de ficar doente e não conseguir cuidar dele, porque parece que mais ninguem no mundo se sente praparado para isso. E é por isso que acho que as pessoas querem nos engrandecer na missão de ser mães de crianças deficientes, como disse no meu comentário.

Obrigada pela sua lembrança, espero poder ajudar sempre com minhas idéias e fico muito feliz com isso

Beijos para você e para esssas fofuras aí

2:51 PM  
Blogger Anieli said...

Acho q a tradução q mais cabe a "career" é cuidador. É a pessoa responsável por realizar todas as tarefas com a criança especial. Pode ser um dos pais, um parente, uma babá, ou uma pessoa de confiança. Mas na grande maioria esse cargo cabe a mãe mesmo! É mto difícil encontrar alguém q cumpra esse papel tão bem como ela, ou alguém em quem agente confie para deixar nossos filhos.
Parabéns pelo blog!
Bjos.

8:17 AM  
Blogger LeticiaBúrigoTK-1288 said...

Nea, Eugenia, Marina e Anieli:

Sim, enfim sou mãe, nada mais.

Igual a todas as outras, com um coração gigante preparada para o inesperado, um tombo, um susto, uma nova vida.

Sim Marina, simplicidade, é ela que procuro, aquela mesma que eu carrego, não desenvolvo, nem me preparo. Apenas tenho.

Afinal quem dá o que não tem? as vezes é isso que busco na baba, na enfermeira, no career, ou sei lá quê nome tem.

Um beijo.
Leticia

8:49 AM  
Blogger Dinha said...

Às vezes acho que precisamos, familiares de portadores de PC ou não, apenas de aceitação uns com os outros, cada um com suas diferenças, naturais diferenças. Certamente que não tem o porquê de sermos "endeusadas". Mais uma vez, disseste tudo, Letícia, simplicidade é o que precisamos. Fazemos, afinal, tudo o que qualquer mãe que ama faz. Bjs!

6:11 PM  
Anonymous Anonymous said...

Olá!
Adorei o texto! e na questão de pessoas como vc, Leticia, ser Endeusada... nao penso desta forma. A diferença é que não sinto que vc é grandiosa, mas sim, como me sinto pequena perto de vc. Apenas admiro sua força, sua dedicação e seu carinho. E quem sabe um dia eu possa evoluir a este ponto. É pra isto que estamos aqui, não é mesmo?
Um dia eu chego lá! Se Deus me der chances de conviver com uma pessoa com P.C. ou não! O importante é nos tormarmos mais humanos o possível e sermos felizes assim! Te admiro sim... e isto não a faz melhor que eu... mas faz eu ser pior q você! E pra isso estou à busca da evolução espiritual e material!
Fique com Deus!

8:50 AM  
Blogger LeticiaBúrigoTK-1288 said...

Oi Amiga

Estamos em busca diária desta evolução. Não me sinto mais nem menos, apenas me sinto mãe.

Da próxima vez que visitar, assine. ;)

Com amor,
Leticia

5:26 PM  

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