Educação Condutiva - com amor

Quero escrever sobre Educação Condutiva porque me apaixonei por este método, cheio de amor, que tem atendido aos meus filhos com p.c. Quero descrever o que tenho estudado, aprendido, escutado e sentido ... Tenho a vontade de abraçar o mundo e fazer com que todas as crianças na mesma condição motora de meus filhos, tenham a chance de receber toda esta inteligência, técnica, forma de agir, pensar e sentir, que com todo carinho o Dr. Andras Peto deixou de herança.

Tuesday, September 26, 2006

Nível de comprometimento e o grupo


Letícia, tenho uma dúvida em relação à Educação Condutiva que a seguinte: será que ela não é realmente útil para as crianças com paralisia cerebral leve ou moderada? Que para as crianças mais comprometidas não é tão eficaz assim? Cristiana

Cristiana, sabes que ao meu ver é difícil falar em 'nível de comprometimento', afinal cada um tem uma dificuldade em algo diferente que não consigo enquadrar esta qualificação de 'leve, moderado e grave' que a medicina nos coloca. Eu tenho visto a educação condutiva de uma forma mais ampla e vem me trazendo e mostrando uns resultados muito bons, nao só de nível motor, mas também de auto-confiança, realidade, vontade.

Não sei se por 'mais comprometidas' estais ainda falando de paralisia cerebral ou de outras síndromes. De todas as formas eu diria que a educação condutiva atende todas essas variedades tratando-se de desenvolvimento motor. Em relação as crianças com alguma dificuldade mental, eles não pontuam, nunca foi escrito nada, e nunca declaram a impossibilidade para ninguém. Mas encontrei em minhas leituras uma descrição de Bela Biszku, uma aluna de Peto :
'Eles nunca me falaram isso mas não aceitavam crianças com dificuldade mental, pois quando a comunicação é impossibilitada a criança não vem a atingir seus resultados.'

Descrevo a minha experiência aqui na escola das crianças e que inclui uma 'variedade' de dificuldades em cada criança. Me arrisco a dizer que normalmente as crianças com o cognitivo preservado, independente de sua condição motora, o método seria então mais eficaz. Na sala dos meninos têm crianças sem absolutamente nenhum controle de cabeça, tronco, membros; mas mesmo nesta condição eles mostravam que sabiam as cores, os números e outras coisas simples que temos condições de avaliar.

Em minha opinião estas crianças podem muito mais, nós é que não conhecemos as 'técnicas' para conseguir uma comunicação com elas. Podem inclusive compreender as ordens solicitadas.

Eu não vejo a educação condutiva para 'poucos', mas com certeza ela será muito mais produtiva naquelas crianças que entendam as ordens solicitadas. Para nós que falamos português, o próprio inglês também é uma barreira, justamente pelo fato da ordem não ser compreendida como um todo. Aí vem a importância do grupo.


O grupo trabalha junto, então se aprende realmente com o grupo, independente de sua condição 'leve, moderada, grave'. A formação deste grupo para a salinha de trabalho é muito importante para as crianças envolvidas. Para meus filhos é otimo, porque além do idioma e de todas as suas dificuldades, eles vêem no grupo muita gente para se inspirar e aprender.

No entanto, para cada criança deve ser desenvolvida sua própria técnica, apropriada para ela, que tente solucionar as suas dificuldades. O condutor é o guia para suas atividades, é ele que orienta e muda os objetivos quando percebe o 'amadurecimento' e êxito naqueles já alcançados.


1 Comments:

Anonymous Cristiana said...

Obrigada pela resposta, Letícia. Vc me situou melhor, agora. Nada como alguém que está vivenciando a EC na prática, né? :-)

6:56 PM  

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